Foram tantas as fôrmas que me são sinicamente presenteadas,
Sob os mais diversos disfarces e nomes,
Preparadas pelos alheios desejos, vontades e sonhos frustrados de vidas suspensas pelo comodismo justificado por um divinizado conformismo,
E que são ridiculamente impostas por acuações emocionais.
Fôrmas às quais deveria me submeter para que as minhas formas atendam os movimentos, os resultados, os passos e os comportamentos formulados por expectativas que guiam planos de vida traçados e postos em execução sem minhas concessões,
Que desconsideram, inclusive, as minhas vontades, minhas loucuras, minhas manhas, minhas frescuras.
Formas assumi das fôrmas que entrei, porque quis; também as rejeitei e a elas retornei, porque sim!
Não me trato de uma metamorfose, ou de uma rebeldia desvairada contra vida; ao contrário, apenas de uma apaixonada loucura pela vida, como eu quiser.
A cada passo faço meu caminho, guiado apenas pelas minhas vontades, que desalinham planetas, embaralham cartas, desorientam anjos e multiplicam números.
Sou a mancha que encarde a melhor das camisas,
Sou a rasura que incomoda no canto da página,
Sou a pequena nuvem grossa no céu azul de uma quente tarde de domingo,
Sou errante, inesperado, inconveniente; livre para mim e feliz de mim.
Àquelas fôrmas, deixo minha arrogância;
Aos seus proponentes, o meu sarcasmo;
Aos enformados, os meus pêsames.