Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Sou tudo o que a minha imaginação fez de mim. Existem espelhos mais sinceros que todas as minhas ideias de mim, que todas as minhas reflexões interiores, que tudo o que fizeram de mim. Por não acreditar em nada, nem mesmo em mim, fui perfilhado pela criação mais sombria de toda a humanidade. E ele é mau, e vingativo, e hedonista, e tudo me seria permitido se ao menos a minha crença nele existisse. Mas apesar de ele não existir, ele me perfilhou, e só não lhe agradeço, ó Lúcifer, porque tudo é ilusão, incluindo a minha própria presença aqui, neste espaço físico - assim se chama segundo me ensinaram. Mas apesar de tudo, há emoções no profundo abismo aberto no meu coração. E sou triste e sozinho. E há em mim desilusão e destempero. E tempos houve que em mim se acendiam iras e invejas, e urdiduras contra os indefesos. E se em tempos houve loucura, hoje existe lucidez, e é contra isso que eu sou indiferente porquanto toda esta realidade será, provavelmente, um mísero sonho de alguém. Ou, quem sabe, uma mera rasura num poema amassado esquecido num bolorento canto de um quarto inabitado...

 

 



publicado por Mário Ramos d´Almeida às 16:29 | link do post | comentar

13 comentários:
De manu a 28 de Outubro de 2009 às 20:50
Mário! O meu aplauso pela forma brilhante como abriste as hostilidades do "Rasuras". Acabas de colocar a fasquia num patamar elevado . Mas apesar de tudo creio que a "nossa" equipa tem qualidades de sobra para manter este nível. Que este seja o primeiro de muitos. Forte abraço.


De Mário Ramos d´Almeida a 28 de Outubro de 2009 às 21:12
Amigo Manu , creio que estás a ser simpático. Queria ter um pouco mais de tempo para poder trabalhar melhor o texto, mas o tempo não me tem permitido, infelizmente. Sem dúvida que a nossa equipa tem qualidade mais do que suficiente para conseguirmos manter um bom nível. Da minha parte, apenas posso prometer que tentarei não ser muito mau.


De Rafael Castellar das Neves a 29 de Outubro de 2009 às 14:44
Mário, sou totalmente suspeito em dizer, mas ficou muito bom, é o estilo e o jeito de ver as coisas que eu gosto! Muito bom o "uma mera rasura num poema amassado esquecido num bolorento canto de um quarto inabitado..."

Excelente abertura!!

E concordo: o tempo dificulta muito, mas por sermos uma equipe, creio que conduziremos com grande motivação e de forma agradável.

Manu, estou com você: que seja o primeiro de muitos!

Abraço a todos "rasurantes" e amigos visitantes...

Rafael


De Mário Ramos d´Almeida a 29 de Outubro de 2009 às 19:16
Obrigado, caro Rafael. Também concordo que temos uma boa equipa, cada um no seu estilo. Estou curioso de ver qual o rumo que o blogue irá tomar. Um abraço.


De Rafael Castellar das Neves a 29 de Outubro de 2009 às 20:04
Também estou, Márião!! Acho que isso será uma das grandes coisas desse blog, o rumo dado pela criação e, no caso, por diversas criação... realmente, não dá para prever, mas será muito bacana!

Estou preparando um post no meu blog, anunciando o Rasuras, e adicionando links especiais em algum local do blog que ainda não pensei.

Abraço...


De Mário Ramos d´Almeida a 30 de Outubro de 2009 às 00:32
Eu próprio já coloquei um link de acesso no meu blogue. Não vou criar um post apenas porque fugiria ao âmbito do "Contos". Um abraço.


De Rafael Castellar das Neves a 30 de Outubro de 2009 às 17:05
Está feito...post e link especial!!

[ ]´s


De Utopia das Palavras a 29 de Outubro de 2009 às 23:35
Que surpresa!
Foi com alguma emoção que li esta prosa, mais que poética, uma prosa de uma escrita madura, de um autor que revela toda a beleza da sua maturidade! Parabéns pelo texto, mais que perfeito!

Bonito "início"...corajoso!







De Mário Ramos d´Almeida a 30 de Outubro de 2009 às 00:30
Muito obrigado pelos elogios. Não me recordo de alguma vez terem mencionado a minha maturidade, até porque ainda sou um jovem aos apalpões no quarto escuro da minha cabeça. E agora, enquanto que uma mão me impede de chocar nas paredes do escuro quarto, a outra segura a espantada boca donde pende a baba por si criada.


De Utopia das Palavras a 30 de Outubro de 2009 às 01:05
Meu caro

Não foi minha intenção referir-me aos anos de vida da t existência, mas sim ao crescimento, quiça prematuro da tua escrita. É incontornável para mim classificá-la como escrita de grande maturidade!
Não há volta a dar, são palavras maduras...muito!!!!

Abraço

(proibidíssimo de me tratar por você, Ok? Afinal eu também tenho medo do quarto escuro)



De Mário Ramos d´Almeida a 4 de Novembro de 2009 às 20:14
Sim, eu compreendi as tuas palavras. Ainda assim creio que ainda tenho muito para crescer. Contudo, claro que me sinto lisonjeado com os teus elogios, assim como demais comentários.
Já agora, aproveito para enviar um pedido de desculpas a todos os que me deixaram comentários. Por motivos profissionais, não me tem sido possível responder a todas as solicitações atempadamente. Entanto, devo-lhes dizer que leio os vossos comentários todos os dias, e só não respondo de imediato porque não vos quero responder a correr.


De eva a 30 de Outubro de 2009 às 16:50
Caro Mário, um começo com um brilhantismo destes intimida qualquer escriba mas, aceite o desafio da diferença, encho o peito de ar e assumo os temas sobre os quais gosto de discorrer ao jeito que gosto de escrevinhar.
Longa e útil vida ao Rasuras.


De Mário Ramos d´Almeida a 4 de Novembro de 2009 às 20:18
E é essa diferença, cara Eva, que enriquece este nosso blogue. E sem dúvida que a tua perspicácia acrescenta um toque diferente e de grande qualidade.


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